O criador da Turma da Mônica tem mantido um ciclo de palestras em
escolas, universidades, empresas e entidades de classes profissionais.


O desenhista Mauricio de Sousa lotou o ginásio de esportes da Universidade Barra mansense de Ensino Superior (SOBEU), em Barra Mansa, Rio de Janeiro, na última terça-feira, 2 de maio, quando fez uma palestra sobre a influência dos seus personagens e dos gibis na alfabetização. Um público formado por crianças, estudantes, professores, portadores de deficiências e fãs do desenhista, estimado em 1.500 pessoas, acompanhou atentamente a exposição. Ao término da palestra, o criador da Turma da Mônica teve que deixar o local cercado por seguranças devido ao assédio de centenas de pessoas em busca de um autógrafo: cadernos, papeis e até mesmo a própria roupa serviam para guardar uma lembrança.

Diante de uma platéia entusiasmada Mauricio de Sousa confidenciou que ele mesmo aprendeu a ler nos gibis que os pais dele compravam e levavam para casa. Salientou que os gibis devem servir como uma contribuição e não ocupar o lugar da escola e da responsabilidade da família no estímulo à leitura. Lamentou a desvalorização dos professores no país, pois são os responsáveis pela formação de futuros profissionais nos mais diversos segmentos e deveriam merecer mais respeito.

Ele também contou como foi o início da carreira e de sua trajetória até os dias de hoje. Afirmou que nunca pensou em ser um escritor infantil e que tudo foi acontecendo naturalmente. Até então, atuava como repórter policial na então Folha da Manhã, hoje Folha de São Paulo.

Informal, Mauricio que não é um palestrante “profissional”, falou dos filmes que produziu nos anos 80 e das dificuldades enfrentadas devido à proibição de importação de equipamentos de informática. Também mostrou ao público o projeto de televisão, com a Turma da Mônica, que tem como objetivo contribuir na alfabetização de cerca de 12 milhões de crianças que não têm acesso à pré-escola, mas dispõem de uma televisão em casa e poderiam receber informações sobre educação em forma de brincadeiras, desenhos animados, participações especiais de educadores, celebridades e muito bom humor. “Até agora não consegui sensibilizar o Governo e as emissoras de televisão sobre a importância do projeto, que poderia ajudar na alfabetização das crianças que estão fora da pré-escola e chegariam ao ensino fundamental com noções importantes sobre a língua portuguesa.”

Perguntado sobre o fato dos personagens Cebolinha e Chico Bento “falarem errado”, respondeu que de forma alguma essas características deles interferem na educação. “O Cebolinha sofre de dislalia e os professores poderiam se utilizar disso para brincar com as crianças sobre as trocas de letras de uma forma didática. Já o Chico Bento representa cerca de 26 milhões de brasileiros que utilizam esse código lingüístico para se comunicar. Ele não fala errado. Ele retrata uma linguagem que se utilizava no passado e ainda se encontra pelo interior do Brasil. É só assistir as novelas de época que encontraremos expressões utilizadas pelo Chico”, disse Mauricio de Sousa.

Ele ainda falou sobre seu novo personagem, Ronaldinho Gaúcho, e sobre o novo longa, "Turma da Mônica em Uma Aventura no Tempo”, que estréia em dezembro. Antes do início da palestra foi exibido o avant-trailer do filme provocando boas risadas do público, assim como vem acontecendo nas 200 salas de cinema do país onde já pode ser visto.

Ao final, causou muita emoção junto ao público quando entregou a uma deficiente visual os livros em Braile da Mônica e do Cebolinha. A palestra foi traduzida também em Libras (Linguagem de Sinais).



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